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BARRÔ PERDEU O SEU MAIOR DINAMIZADOR E UM DOS SEUS MAIS DEVOTADOS FILHOS
Com o desaparecimento do Comendador Eng.º Adolfo da Cunha Nunes Roque, Barrô perdeu o seu maior obreiro e impulsionador e um dos mais dedicados filhos. É isso mesmo: um dos seus mais dedicados filhos, pois dificilmente alguém demonstrou, ao longo das últimas gerações, maior amor e dedicação à terra natal. Por ela, deixou outras rendosos empregos e actividades empresariais em locais com mais visibilidade nacional e, consequentemente, maior projecção do seu nome; por ela e para a ver dotada de quase tudo que lhe faltava a nível sociocultural, muito deu do seu esforço, da sua acção, da sua influência, do seu património; em suma de si mesmo. Sem a sua liderança e empenhamento, Barrô teria as infraestruturas que hoje possui? Vou relembrar algumas: ABARCA (Creche, Jardim de Infância e ATL) – Havendo já 10.000 m2 de terreno, oferecidos pelo também benemérito barroense, Comendador António Soares de Almeida Roque, era preciso dar início à construção do edifício que albergasse aquelas valências. Para tanto, tornava-se imprescindível interessar pessoas, empresas, organismos, congregar muitos esforços, muitas verbas, quer através de programas oficiais de apoio, quer de iniciativas privadas. É nessa difícil missão, que o Eng.º Adolfo Roque tem uma acção preponderante, enquanto presidente da Assembleia Geral da Instituição. Sem ela, as obras não se sabe quando seriam concluídas e postas ao serviço dos pequeninos utentes. Assim, foram-no em 9/2/89. Dois anos depois da inauguração do edifício acima referido, foi dado por concluído outro bloco para albergar o Lar de Idosos, Centro de Saúde (Posto Médico) e Centro de Convívio (Bar). Também para a concretização deste empreendimento, a dinamização e apoio do Comendador Adolfo Roque foi decisiva. PAVILHÃO POLIDESPORTIVO “ENG.º CARLOS MANUEL ROQUE” – Este complexo desportivo, também propriedade da ABARCA e inaugurado em 23 de Setembro de 1995, só se tornou realidade devido ao total empenhamento e colaboração financeira deste grande HOMEM que há dias deixou de estar entre nós. CENTRO PAROQUIAL – A construção desta obra, que esteve envolta em acesa polémica no tempo do P.e António Tavares, só foi concluída com a chegada do P.e João Paulo Sarabando, e essa conclusão também só foi possível por influência, liderança e avultado contributo seu. CENTRO CÍVICO E SOCIAL – Desde 29 de Junho de 2002 que os barroenses têm à sua disposição mais este complexo social da ABARCA. Sobre ele, o seu desenhador, Arq.º Tomás Taveira, afirmou ser “eventualmente a sua melhor obra” e isso porque o seu promotor – o agora saudoso Eng.º Adolfo Roque –, teve a “enormíssima paciência de lhe aturar todas as loucuras”. O Secretário de Estado que se deslocou a Barrô para a inauguração deste edifício, também disse do Eng.º Roque, entre outras coisas: “vim aqui, antes de mais, homenagear um homem que esta comunidade conhece bem, pela dinâmica, pela capacidade, pela humanidade”. Esta obra fantástica, que tem sido admirada por imensa gente que nos visita; que aqui tem trazido técnicos de arquitectura de vários pontos do país e até do estrangeiro e é o ex-libris da nossa terra, do nosso concelho e da região, ao seu dinamismo, ao seu espírito indomável e ao seu imenso amor à terra onde nasceu se deve. No dia da inauguração, ele disse que a obra custou 300 mil contos, com 43.000 contos de comparticipação do Estado e 28.500 contos da Câmara Municipal. O restante foi conseguido através de empresas (entre as quais se destacam, em primeiro lugar, a Revigrés, depois a Pavitecto, Guialmi e Ciaço) e particulares. O que ele, por modéstia, não disse, foi que nesses particulares se incluíam 10.000 contos que anos antes tinha oferecido e que foram acumulando juros no banco, e 50.000 contos do seguro de vida de seu falecido filho, Eng.º Carlos Manuel Roque. Isto só para citar as mais avultadas, porque houve muitas outras, como por exemplo a doação de 5.500 m2 de terreno, que vieram aumentar o património imobiliário na zona envolvente da ABARCA. ORFEÃO DE BARRÔ – Também foi uma iniciativa sua, para colmatar uma lacuna cultural de que há muitos anos Barrô carecia, o qual vinha financiando, desde a sua fundação, com capitais próprios e de amigos a quem os solicita GRUPO DE TEATRO – Igualmente promoveu o ressurgimento desta actividade cultural, que, desde essa altura, tem levado à cena excelentes peças teatrais. LIVRO “BARRÔ AO LONGO DOS TEMPOS” – Foi dele a ideia da publicação deste livro, para o qual deu todo o seu apoio e custeou a edição. Segundo disse no prefácio que escreveu e na cerimónia de apresentação do mesmo, a publicação desta obra “foi o concretizar de um sonho que há muito vinha acalentando”. Como seu autor, senti-me muito honrado por se ter lembrado de mim para tão difícil empreendimento. Obrigado, grande amigo e que Deus lhe dê o lugar que merece na eternidade. CORREIOS – Esta infraestrutura, uma velha aspiração da nossa terra, sucessivamente adiada, ao longo de anos e anos, e pela qual alguns bons barroenses tanto lutaram, no dia 29 de Junho de 2002, foi também inaugurada, e isso graças, mais uma vez, aos conhecimentos, influências e persistência do agora extinto. IGREJA PAROQUIAL – Para o restauro da talha dourada do século XVII, pinturas e outros serviços de conservação deste antiquíssimo templo, assim como para o empedramento do adro, também foi o senhor Comendador quem mais se empenhou e mais contribuiu. CASA DE REPOUSO DR. ANTÓMIO BREDA E LEA BREDA e UNIDADE DE CUIDADOS CONTINUADOS – Esta obra, construída nos terrenos doados à Misericórdia de Águeda pelos ilustres conterrâneos que lhe dão o nome, foi iniciativa da Mesa que antecedeu a de que o Eng.º Adolfo Roque era Provedor. Só que, o fim para que estava destinada não teve a aceitação que se esperava e, portanto, ali estava um investimento caríssimo, que bastante tinha endividado a Misericórdia, qual elefante branco, à espera de solução. Com a entrada do Provedor, cuja morte agora choramos sentidamente, foi este capaz de resolver o problema, de modo a rentabilizar aquela excelente complexo social e acrescentar-lhe, através de protocolos assinados com os respectivos Ministérios, a Unidade de Cuidados Continuados Esta casa é mais uma infraestrutura que orgulha Barrô, pois presta inestimáveis serviços à sua população, assim como às do concelho e do distrito, que se deve ao seu espírito activo e excelente capacidade de gestão. Dos seus muitíssimos cargos que desempenhou em Instituições, Associações culturais, Organizações empresariais, universitárias, corporativas, etc., já foi falado no número anterior deste Semanário, de que também foi fundador. Não menos importante para Barrô do que o volumoso rol de acções, no campo sociocultural, de que só uma pequena parte aqui deixei expressa, foi a implementação da mundialmente conhecida empresa REVIGRÉS. Podia tê-la sediado numa grande cidade, mas não quis. Preferiu construi-la na pouco conhecida aldeia, que era a sua terra. Sendo esse o seu sonho, desde os tempos em que foi quadro superior na DIAMANG, em Angola, convidou um grupo de amigos para o ajudarem a concretizá-lo. Com a concordância de todos, ele seria o administrador dessa unidade fabril. Assim, sob a sua rigorosa e profícua gestão, a Revigrés prosperou e tornou-se uma empresa altamente conceituada, nacional e internacionalmente, fornecedora de obras de referência e grandes empreendimentos, não só no nosso país, como em muitos outros de vários continentes. Além da Revigrés, fundou ou administrou diversas outras unidades industriais e comerciais em vários concelhos. Há relativamente poucos anos, deixou a administração daquela empresa, que era a menina dos seus olhos. Este HOMEM, pelo seu humanismo, pelo seu empenhamento, pela sua inteligência e pelo que disponibilizou dos seus bens em prol da comunidade barroense, apesar de ter deixado a nossa convivência física, continuará eternamente vivo na nossa memória. Por isso, como crente, estou certo que Deus o terá incluído no rol dos seus eleitos.
JAIME CALDEIRA Escrever Comentário (0 Comentários) |